Em homenagem ao Dia Internacional da Consciência Negra (embora um pouco atrasado), faço essas três postagens.
(Talvez umas pequenas raridades.)
Noriel Vilela fez carreira como integrante do grupo vocal de samba Cantores de Ébano, que teve relativo sucesso nos anos 1950. Vilela também lançou o álbum-solo Eis o Ôme em 1968. Por essa época, Vilela morreu repentinamente e o Cantores de Ébano se desfez por algum tempo, até que se encontrasse um substituto à altura para o cantor.
A voz do cantor é um baixo profundo com uma dicção única no samba. Seu segundo álbum Eis o Ôme é uma sucessão de faixas de sambalanço com forte tempero afro, não apenas na sonoridade, como também na temática, voltada para a umbanda.
Vilela goza atualmente de um revival cult entre os admiradores do sambalanço e seu nome é facilmente encontrável nas redes de compartilhamento de arquivos da internet.
Destaque, nesse álbum, para a deliciosa Só o Ôme.
Eis o Ôme (1968)relançado pela série "100 Anos", da EMI-Odeon nos anos 2000.
1 - Promessado (Carlos Pedro)
2 - Saravando Xangô (Avarése - Edenal Rodrigues)
3 - Só o Ôme (Edenal Rodrigues)
4 - Meu caboclo não deixa (Avarése - Edenal Rodrigues)
5 - Pra Iemanjá levar (Delcio Carvalho)
6 - Samba das águas (Josan de Mattos)
7 - Eu tá vendo no copo (Avarése - Edenal Rodrigues)
8 - Acredito sim (Avarése - Edenal Rodrigues)
9 - Peço licença (Avarése)
10 - Cacundê, cacundá (José de Souza - Orlando)
11 - Acocha malungo (Sidney Martins)
12 - Saudosa Bahia (Noriel Vilela - Sidney Martins)
Bônus de Delta9(outra pasta dentro do arquivo compactado)01 Merle Travis - Sixteen Tons (deixem o próprio autor falar...)
02 Tennessee's Ernie Ford - Sixteen Tons
03 Paul Robeson - Sisteen Tons
Noriel Vilela - 16 Toneladas (Merle Travis - versão Noriel Vilela)
downloadSEM SENHA
Acrescentei os bônus pra mostrar que existe muita coisa boa enterrada por aí.
Tem gente que acha que a versão de 16 Tons em português é do Funk Como Le Gusta. Mas vejamos a origem da música.
Merle Travis a compôs em 1947, contando a história do sofrimento dos trabalhadores nas minas de carvão do condado de Muhlenberg, Kentucky, onde seu pai trabalhou, gravando-a em seguida. Na época a guerra fria provocava histeria, e haviam muitos musicos folk considerados ativistas comunistas. Alguns agentes do FBI chegaram a impedir que a música tocasse nas emissoras de rádio por considerá-la como simpatizante ao comunismo. Em 1955 Ernest Jennings Ford, mais conhecido como Tennessee's Ernie Ford, gravou-a num lado B de um compacto no dia 17 de setembro de 1955. Ela foi gravada com somente um arranjo simples de clarinete pelo diretor musical Jack Fascinato, e com um estalar de dedos do Erni para marcar o tempo do arranjo de Jack Fascinato. Em onze dias após seu lançamento, 400 mil unidades do disco já haviam sido vendidas. Evidente que a demanda pela música era enorme e aCapitol agilizou as prensas. Vendeu mais de 1 milhão de cópias em 24 dias. Em 15 de dezembro, menos de dois meses após o lançamento já havia vendido mais de 2 milhões de cópias, tornando-se o compacto de maior sucesso jamais gravado. Recorde absoluto. E isso tudo com Bill Halley destruindo cinemas e Little Richard virando os olhinhos!!
Acrescentei apenas 4 das versões conhecidas: uma gravação do autor; outra que celebrizou a música; uma outra mais moderna pelo honorável Paul Robeson um dos negros mais dígnos que humanidade teve a honra de conhecer. E, claro, a versão de Noreil Vilela, cuja letra não tem nada a ver com o original e o balanço, cheio de malandragem - ou ainda pilantragem - é uma delícia e cuja voz nada deixa a dever ao grande Paul Robeson. Deixei de lado as versões de Johnny Cash, Eric Burdon, Steve Wonder, Frankie Lane. Se quiserem, me digam que eu posto. Se juntasse tudo ia empapuçar demais.
Acabaria por diluir a homenagem que quero prestar ao Noriel Vilela.
Quanto ao álbum "Eis o óme", é uma pérola de grande valor à cultura afro-brasileira.
Ben é Samba Bom
Falar de Jorge Ben Jor (ou Jorge Benjor, ou Jorge Ben, ou
Jorge Duílio Lima Meneses, para a Certidão de Nascimento) é desnecessário.
Acrescento, apenas, que o álbum acima, Ben é Samba Bom, o segundo gravado por ele (1964), apresenta músicas menos conhecidas. Porém, com lindas pegadas de jazz. E ele continuava ainda no violão.
Beleléu, Leléu, Eu
A última das três postagens é do maravilhoso, inspirado e unanimidade (como Nelson Rodrigues e, para alguns também, Arnaldo Jabor) Itamar Assunção e Isca de Polícia - Beleléu, Leléu, Eu (de 1980). Maravilha. Muito desbunde. Muita farra.
Aproveitem.
Aqui me despeço dizendo aos apreciadores da arte de Noriel Vilela: "saravá, quem é de saravá; a bença, quem é de abença".
(parte do texto extraído da Wikipedia e www.ernieford.com/SixteenTons.htm)
Agradeço ao blog mercadodepulgas.blogspot.com por disponibilizar essa pérola aos interessados. Visitem o blog.
Ah... Paulo: você não precisa baixar, se não quiser. Mas continue frequentando o blog. Eu aprecio deveras seus comentários, críticas e tudo o mais. Como disse o unânime Nelson Rodrigues: "toda unanimidade é burra!".